02/02

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Oi,

estou um pouco preocupada por estar escrevendo esta carta, um pouco pela minha sanidade mental. Mas cá estou. Vou culpar o livro que estou lendo, e também você, porque postar aquela frase, naquele dia, de acordo com as circunstâncias, acabou comigo, estou me odiando por ainda não ter superado. E me pegar pensando em como poderia ter sido diferente, em como fui egoísta.

Tive bastante tempo para repassar tudo na minha cabeça, e pela milésima vez não consegui entender o que aconteceu.

Você estava lá, eu estava. Mas sabe, talvez o destino veja uma certa graça em brincar com as pessoas assim, mas ninguém riu. Não tem graça. Sua ausência me sufocou, não consegui respirar por anos, sempre achei que feridas novas e maiores seriam piores, mas descobri que pior mesmo foi perceber que aquela ferida nunca cicatrizou, você. E tudo que me resta são alguns caracteres para falar, tenho tanta coisa para contar e sinto que não consigo dizer tudo. Se ao menos tivesse a mínima chance de você ler esta carta, escreveria mais sobre seu cabelo largado e a camisa verde. Tudo bem, já tomei quatro doses de tequila, sabe como fico emotiva depois da terceira, não ha ninguém para quem eu possa ligar a essa hora, já está amanhecendo, então decidi fazer o que faço de melhor, escrever para você.

Se estivesse aqui veria como a vida esta de cabeça para baixo. Tudo tão confuso. Estou sentada no chão do banheiro com lenços pelo chão, e mesmo com tudo meio estranho, consigo sorrir ao imaginar seu rosto indignado ao saber que agora acho muito útil ter aquela blusa transparente, por favor não ria, tenho gostos diferentes daqueles de cinco anos atrás, aceite isso. Deixei o cabelo crescer e aposto que nunca me imaginaria loira, nem eu. E olha só que ironia do destino, eu conheci alguém, e ele só me faz lembrar você, até o jeito de se vestir, as vezes penso que insisto nesse caso só para senti-lo perto por mais uma vez.

Hoje não dói tanto, aprendi a conviver com a falta que sua voz me faz em dias nublados. Aprendi a cozinhar e agora não vou precisar mais pedir pizza todas as noites para o jantar, é só que você faz tanta falta. É verdade quando dizem que da saudade de momentos que não foram vividos, por mais que tenhamos sido inteiros quando ainda existia calor, seremos o eterno 'e se'.

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